Avner Meyrav
Por Avner Meyrav
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O glossário completo das criptomoedas e da tecnologia blockchain

A revolução blockchain introduziu muitas práticas inovadoras no mundo moderno, em especial, as criptomoedas. Tal como acontece com a maior parte das novas tecnologias, a terminologia associada à tecnologia blockchain e às criptomoedas está a evoluir e a mudar constantemente, surgindo novas expressões todos os dias. Foi por isso que coligimos este prático glossário de termos técnicos, que lhe permitirão compreender melhor a linguagem de blockchain e dominar a gíria.

 

A-C

Airdrop: uma distribuição de tokens pelos operadores de uma rede de criptomoeda. Os tokens podem ser dados gratuitamente a todos os titulares da criptomoeda ou podem trocados por um qualquer tipo de atividade, tal como promover a cripto numa rede social.

Altcoin: todas as criptomoedas, exceto o Bitcoin, são conhecidas como altcoins (abreviatura de “alternative coin”, moeda alternativa). Existem centenas de altcoins por todo o mundo, incluindo o XRP, o NEO, o Stellar e muitas outras.

ASIC: “Application Specific Integrated Circuit”, que se refere a um circuito integrado concebido para executar uma tarefa específica. No mundo blockchain, normalmente aplica-se a circuitos integrados desenvolvidos para funcionarem em computadores para mineração, e são considerados superiores aos CPU e GPU.

Assinatura digital: uma expressão muito utilizada para identificar um indivíduo ou uma ação específica na Internet. Em blockchain, refere-se habitualmente a um identificador único atribuído a um determinado utilizador, token ou transação.

Ataque 51%: esta expressão descreve uma situação em que demasiado poder de uma rede de blockchain está concentrado num único local. Um utilizador, ou grupo de utilizadores, que controle 51% do sistema poderá manipulá-lo para seu benefício ou, inadvertidamente, executar transações contraditórias que coloquem em risco o sistema.

Bitcoin: a primeira e maior criptomoeda (por capitalização bolsista). O Bitcoin foi lançado em 2009 como uma moeda descentralizada, desenvolvida com tecnologia blockchain. Foi a primeira aplicação prática da tecnologia blockchain. O Bitcoin foi criado por uma pessoa, ou grupo de pessoas, que se identificam sob o pseudónimo de Satoshi Nakamoto.

Blockchain: uma rede descentralizada, construída com base numa cadeia contínua de segmentos de código de tamanho predeterminado (blocos). Todas as transações na rede são armazenadas num registo público que existe na rede, o que significa que não é necessário qualquer servidor central que autorize as transações executadas na rede.

Bloco de génese: o primeiro bloco de código criado numa rede de blockchain.

Carteira de papel: uma solução de cold storage que é considerada uma das formas mais seguras de armazenar criptomoedas. As carteiras de papel podem ser impressas em qualquer impressora e incluem as chaves pública e privada únicas do utilizador, codificadas em códigos QR. Para acederem aos seus fundos, os utilizadores só têm de proceder à leitura dos códigos QR das suas carteiras de papel.

Carteira: um programa online ou um programa cliente nativo que permite aos utilizadores armazenar, transferir e consultar o saldo da sua conta. Diferentes carteiras aceitam diferentes criptomoedas, embora muitas carteiras possam aceitar várias criptomoedas de uma mesma plataforma.

Chave privada: todos os utilizadores na rede têm uma chave privada. As chaves privadas são conhecidas apenas pelos respetivos utilizadores e podem ser equiparadas a palavras-passe.

Chave pública: se a já referida chave privada pode ser equiparada a uma palavra-passe, a chave pública é uma espécie de nome de utilizador, uma vez que pode ser vista por todos no registo público.

Cold storage: uma medida de segurança que permite armazenar criptomoedas em ambiente offline. Pode ser um dispositivo de armazenamento (tal como uma pen USB de memória flash) ou uma carteira de papel.

Comissão de transação: uma vez que as transações das redes de blockchain exigem uma grande capacidade computacional, os mineradores de cada rede competem pelo direito de processar cada transação, alocando-lhes capacidade computacional. O minerador que acabar por processar uma transação, receberá a respetiva comissão.

Consenso: uma vez que grande parte dos dados de uma rede pública de blockchain é armazenada simultaneamente em vários pontos da rede, os membros querem ter cópias idênticas desses segmentos de código (tal como um registo público) por toda a rede.

Contrato inteligente: um algoritmo que utiliza tecnologia de blockchain para executar automaticamente um determinado contrato. Quando se cumprem os termos do contrato, este é executado, sendo as partes recompensadas de acordo com os seus termos e condições. Os contratos inteligentes foram popularizadas pela rede de blockchain Ethereum.

Criptomoeda: as criptomoedas, a primeira aplicação importante da tecnologia blockchain, são unidades monetárias concebidas para não precisarem de um registo de propriedade centralizado, sendo cada token e cada transação encriptados de forma única. A tecnologia blockchain é a infraestrutura que permite armazenar as criptomoedas e transacionar tokens na rede.

D-H

DAO: “Decentralized Autonomous Organization” (organização descentralizada autónoma). Esta expressão descreve as organizações que utilizam práticas de blockchain na sua gestão, tais como contratos inteligentes, dispensando a autoridade central.

Dapps: abreviatura de “Decentralised apps” (aplicações descentralizadas). Basicamente, são programas que utilizam a tecnologia blockchain para criar todos os tipos de aplicações para redes descentralizadas.

Fork (bifurcação): uma vez que as redes de blockchain são descentralizadas, todas as alterações têm de ser aceites pelos utilizadores da rede para poderem ser aplicadas. Se um número suficiente de utilizadores estiver de acordo, as atualizações ou alterações aos programas serão instaladas na rede. As alterações que mantêm a compatibilidade da rede com as versões anteriores são designadas por soft forks (bifurcações suaves), ao passo que as que tornam a rede incompatível se designam por hard forks (bifurcações fortes). Ocasionalmente, se a comunidade se dividir quanto a uma hard fork, o resultado poderá ser a criação de uma nova rede de blockchain concomitante. Foi o que aconteceu no caso da criação do Bitcoin Cash e do Ethereum Classic.

Grupos de mineração: um conceito criado por alguns mineradores com o objetivo de processar mais transações e receber mais comissões. Os fundos são posteriormente divididos entre os membros do grupo.

Hash: a prática de utilizar um algoritmo para atribuir uma “impressão digital” a cada conjunto de dados. Sempre que se armazenam informações numa rede de blockchain, utiliza-se o hashing para criar uma forma unificada de identificar os blocos de código, convertendo-os em séries de números e letras com um tamanho fixo.

I-M

ICO: “Initial Coin Offering” (oferta inicial de criptomoeda). Esta expressão descreve a situação em que uma empresa angaria fundos através da emissão de tokens de criptomoeda, que são vendidos a preço fixo aos investidores iniciais.

Lightning Network: uma solução de “segunda camada” concebida para reduzir significativamente o tempo de processamento de transações numa rede de blockchain. A Lightning Network implementa uma rede P2P para processamento de transações, antes de as difundir para serem registadas no registo público da rede de blockchain subjacente.

Liquidez: a facilidade com que determinada criptomoeda pode ser convertida em dinheiro. A liquidez depende de muitos fatores, incluindo a oferta e a procura, e o tempo de processamento de transações.

Livro branco: um documento que serve de relatório ou guia sobre um assunto complexo. No mundo das criptomoedas, os livros brancos são utilizados para descrever a estrutura, o plano e/ou a visão das redes de blockchain ou das criptomoedas.
Mineração: a prática de atribuir capacidade computacional ao processamento de transações na rede, que é recompensada com tokens. Todas as transações são encriptadas através de uma equação cuja resolução exige forte capacidade computacional. Os mineradores que resolvem primeiro a equação, permitindo assim a execução da transação, são recompensados com uma pequena comissão.

N-P

: um computador na rede que processa uma cópia do registo da blockchain. Os nós estão espalhados pela rede, permitindo-lhe funcionar de forma descentralizada.

Ponto-a-ponto (P2P): a prática de partilha direta de informações entre duas partes numa rede, sem necessidade de intermediação por um servidor, para comunicação dos dados.
Prova de participação: um método para determinar que utilizadores são elegíveis para adicionarem novos blocos à blockchain, ganhando assim um comissão de mineração. De entre todos os utilizadores que participam no processo de mineração, este método favorece os que têm mais tokens em relação aos que têm menos.

Prova de trabalho: mais antiga do que a prova de participação, a prova de trabalho é um conceito semelhante, utilizado para decidir que utilizador é elegível para criar cada bloco. Contudo, com este método, a elegibilidade é determinada pela capacidade computacional do minerador, não pela sua fortuna digital.

Registo: um registo digital de todas as transações que ocorrem numa determinada rede de blockchain. As cópias do registo são armazenadas na rede e são constantemente atualizadas para para se manterem consistentes entre si e para permitir que as transações possam ser verificadas por qualquer pessoa na rede.

S-W

SegWit: abreviatura de “Segregated Witness”, expressão que se refere a uma solução que permite aumentar a velocidade de processamento numa rede de blockchain. As soluções SegWit poderão ser potencialmente implementadas como “soft forks” das redes de blockchain, melhorando-lhes o funcionamento sem necessidade de criar novas unidades monetárias e sem tornar as redes incompatíveis retroativamente.

Token: uma moeda individual de uma rede de blockchain específica, representando a sua unidade monetária e servindo para valorizar as transações nessa rede. Por exemplo, o token da rede Litecoin chama-se LTC.

As criptomoedas podem apresentar grandes variações de preços e, portanto, não são adequadas para todos os investidores. A negociação de criptomoedas não é supervisionada por qualquer quadro regulamentar da UE. O seu capital está em risco. O objetivo destes conteúdos é apenas educacional, não devendo ser considerados como conselhos de investimento.

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